Centenário Raquel de Queiroz

No ano de 2020, o romance “O Quinze” completa 90 anos.

Na terceira edição, pela Companhia Editora Nacional, constam xilogravuras de autoria de Abrão Batista.

Em artigo publicado na Revista da Academia Cearense de Letras, datado de 1976, “Como foi escrito ‘O Quinze’”, Rachel de Queiroz nos conta como foi escrito seu célebre romance.

“Por ocasião da seca de 1915, eu tinha quatro anos- nas¬cida que era em novembro de 1910. Passamo-la em Fortaleza, numa chácara que meu pai comprara recém, no antigo Ala¬gadiço – larguíssima rua de areia, tendo apenas no espinhaço o estreito calçamento onde corria a linha do bonde.

Nessa casa de imenso quintal, cheio de bananeiras, goiabeiras, cata-vento, fica hoje a Casa de Saúde São Gerardo, e a rua é a Avenida Bezerra de Menezes.

Pelos confins do mesmo Alagadiço o governo fez em 15 abrir o chamado “Campo de Concentração”, cercado de arame e sombreado por cajueiros, onde se arranchavam e recebiam socorros os retirantes vindos em tal quantidade, que edifício público nenhum os abrigaria.”

“Desde os dezesseis anos que eu fazia jornalismo, (…) Pensava num romance, mas não queria fazer a simples história de amor que os meus dezoito anos pediam, queria nele também a terra, a gente do Ceará.

Via que o meu caminho tinha que ser o mesmo, a literatura da seca, embora já trilhada por tantos,- Domingos Olímpio, Rodolfo Teófilo, entre muitos-, seca inclusive cantada por Guerra Junqueiro, (…) mas eu queria a minha seca mais “seca” – quero dizer menos formalmente trágica – sem muitos cadáveres, muitos esqueletos, muitos urubus, como era o tom realista até então.”

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